Quem passa pela orla bem cedo já conhece a cena: tem gente caminhando, nadando, pedalando, dançando, fazendo alongamento, encontrando os amigos e, claro, parando para aquele cafezinho depois. O curioso é que, entre tantos grupos que ocupam a praia diariamente, existe uma presença que ajuda a derrubar uma ideia antiga sobre envelhecer: a de que a idade precisa diminuir o ritmo da vida.
Em 1º de outubro, o Brasil e o mundo celebram o Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa. A data foi instituída pela ONU em 1990 e, no Brasil, também foi estabelecida pela Lei nº 11.433/2006. O objetivo é valorizar as pessoas idosas, ampliar a conscientização sobre o envelhecimento e chamar atenção para a importância de respeito, inclusão, autonomia e participação na sociedade.
E talvez a melhor forma de falar sobre isso seja sair do discurso e olhar para a própria praia.
Conceito da OMS
1º de Outubro Ambiente e Capacidade FuncionalA OMS define envelhecimento saudável como o desenvolvimento e a manutenção da capacidade funcional que permite o bem-estar na velhice. Isso envolve as capacidades individuais, mas também o ambiente onde a pessoa vive e as oportunidades que ele oferece para se movimentar, tomar decisões e manter relações sociais. |
Na orla carioca, algumas dessas oportunidades estão literalmente a poucos passos do mar.
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Hábito | Colocar o corpo em movimentoNão existe uma idade específica para começar a se mexer. E a praia é um daqueles lugares em que atividade física pode aparecer de vários jeitos, sem necessariamente ter cara de treino. Caminhada, bicicleta, natação, alongamento, yoga, dança e outras modalidades fazem parte da rotina da orla. Para pessoas idosas, manter-se fisicamente ativa pode contribuir para equilíbrio, força, autonomia, qualidade de vida e redução do risco de quedas. O Ministério da Saúde também recomenda que a atividade seja adaptada às condições e preferências de cada pessoa. Ou seja: não precisa começar com uma maratona. Às vezes, começa com alguns passos pelo calçadão. |
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Hábito | Experimentar uma atividade novaEnvelhecer não significa ficar preso àquilo que já se conhece. Na orla, é possível encontrar atividades que misturam movimento, aprendizado e diversão. No Juanas, em Copacabana, por exemplo, aulas de fitdance e coreografias coletivas acontecem diariamente, a partir das 18h. A proposta é aberta a quem já dança e também a quem simplesmente quer chegar, acompanhar os passos e entrar na brincadeira. No Rayz Beach Point, no Leme, o forró também ocupa espaço na programação. O quiosque recebe o Forró do Pôr do Sol, com aulão aberto a iniciantes, além de música ao vivo. É o tipo de atividade que prova que exercício também pode vir acompanhado de música, memória afetiva e uma boa dose de diversão. |
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Hábito | O hábito de transformar a atividade em encontroExiste uma diferença importante entre sair para fazer exercício e sair para encontrar pessoas enquanto se movimenta. Na praia, muita gente transforma a rotina de atividade física em compromisso social. Tem o grupo da caminhada, o pessoal da dança, quem se encontra para praticar uma modalidade e aqueles amigos que já sabem exatamente onde a conversa vai terminar. A convivência tem papel importante no envelhecimento saudável. A própria OMS considera construir e manter relações parte da capacidade funcional na velhice e destaca a importância de ambientes que favoreçam participação e inclusão. Na orla, esse encontro acontece de forma espontânea. Às vezes começa com um “bom dia” e termina com uma mesa cheia. |
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Hábito | Manter a música por pertoQuem disse que envelhecer é diminuir o volume da vida? A música também encontra seu espaço nesse cotidiano. No Nativoo, em Copacabana, a programação traz apresentações que conversam com diferentes gerações, incluindo o Happy Hour Phil e Guga, às quartas-feiras, com música ao vivo à beira-mar. E aqui tem uma coisa interessante: música não é apenas trilha sonora. Ela também pode ser memória, identidade, encontro e motivo para sair de casa. Uma quarta-feira com repertório conhecido, amigos por perto e vista para o mar pode ser um ótimo programa, independentemente da idade. |
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Hábito | Os quiosques como um ponto de encontro de lazer e saúde!Depois da caminhada, da aula de dança, do forró ou simplesmente daquele passeio sem compromisso, entram em cena os quiosques. E muitos deles ajudam a ampliar essa programação com atividades físicas gratuitas ou abertas ao público, criando pontos de encontro que aproximam esporte, lazer e convivência. Na Barra, por exemplo, há atividade de yoga nas proximidades do Via Onze, somando mais uma opção para quem gosta de começar o dia se movimentando junto ao mar. Essa variedade ajuda a mostrar uma característica importante da própria orla: não existe um único jeito de aproveitá-la. Cada pessoa pode encontrar seu ritmo, sua atividade e sua turma. |
A praia também envelhece com a cidade
Talvez esteja aí a relação mais interessante entre a orla e o envelhecimento saudável.
A praia não oferece uma fórmula mágica para viver mais. O que ela oferece é um ambiente que pode favorecer hábitos associados a uma vida ativa: movimento, autonomia, aprendizado, relações sociais, lazer e participação na comunidade. É justamente essa combinação entre capacidades individuais e ambientes favoráveis que a OMS coloca no centro do conceito de envelhecimento saudável.
E isso aparece todos os dias, sem precisar esperar uma data no calendário.
Tem quem caminhe cedo. Quem dance no fim da tarde. Quem aprenda forró. Quem faça yoga. Quem encontre os amigos para ouvir música. Quem vá ao quiosque depois de tudo isso e fique mais uma hora conversando porque ninguém está com pressa.
No fim das contas, talvez envelhecer bem tenha menos a ver com tentar parar o tempo e mais com continuar ocupando a cidade, cultivando vínculos, descobrindo coisas novas e encontrando motivos para sair de casa.
Na orla, esses motivos não faltam.
E, convenhamos, uma vista para o mar também ajuda.
1º de Outubro • Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa
Viva a cidade em Qualquer Idade de Frente Para o Mar! |