Entenda como o Arpoador se tornou o principal palco do Dia de Iemanjá no Rio e confira a programação

Entenda como o Arpoador se tornou o principal palco do Dia de Iemanjá no Rio e confira a programação

No Rio de Janeiro, o Arpoador nunca foi apenas um ponto turístico. A pedra que avança sobre o mar, entre Copacabana e Ipanema, sempre funcionou como lugar de encontro. Do surf ao pôr do sol, da contemplação ao silêncio, ali a cidade aprende a pausar. Não por acaso, foi nesse cenário que o Dia de Iemanjá encontrou um novo centro de gravidade na orla carioca.

Celebrado em 2 de fevereiro, o Dia de Iemanjá do Arpoador ganha ainda mais força em 2026. A festa acontece pela primeira vez após o reconhecimento oficial como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade do Rio de Janeiro e sua inclusão no calendário oficial do município. Um marco que ajuda a explicar por que o Arpoador se tornou mais do que palco. Virou símbolo.

Há algo na geografia que fala alto. A Pedra do Arpoador avança mar adentro como um gesto de entrega. O mar, ali, não é pano de fundo. É presença. É escuta. Para as religiões de matriz africana, esse diálogo entre terra e água carrega significado profundo. O território acolhe, protege e amplia o ritual.

Idealizado por Marcos André, músico e umbandista, o Dia de Iemanjá do Arpoador nasceu em 2022 com um propósito claro: recolocar os terreiros e as comunidades tradicionais no centro da celebração. Antes mesmo do Réveillon moderno ocupar Copacabana como vitrine global, a devoção à Rainha do Mar já fazia parte da história do Rio. O Arpoador, com sua vocação de encontro e respeito, ofereceu o ambiente ideal para esse retorno às origens.

O crescimento foi rápido, mas consistente. De uma expectativa inicial de mil pessoas, o evento reuniu mais de 25 mil na edição de 2025. Para este ano, a estimativa é alcançar cerca de 30 mil pessoas ao longo do dia. Um público diverso, formado por religiosos, moradores, surfistas, curiosos, famílias e gente que sente que precisa estar ali.

A programação acompanha esse espírito coletivo. Cortejo, giras de umbanda na areia, rodas de jongo, samba, afoxé, ciranda e coco se espalham pelo trecho do Arpoador, na Praia de Ipanema, das 10h às 22h. A tradicional entrega de flores ao mar acontece na Pedra do Arpoador, um dos momentos mais simbólicos do dia. Surfistas locais entram na água levando oferendas, reforçando a conexão entre cultura, esporte e espiritualidade.

O evento dialoga com o presente. A organização orienta que as oferendas sejam biodegradáveis, restritas a flores e frutas, e encerra a programação com um mutirão de limpeza da praia e das pedras. Em 2026, outro avanço importante se soma à celebração: a presença de estrutura de acessibilidade, com cadeira anfíbia do projeto Praia Para Todos, permitindo que pessoas com deficiência participem da vivência na areia e à beira-mar.

Entre os destaques confirmados estão Afoxé Filhos de Gandhi, Samba de Caboclo, Jongo do Vale do Café, Companhia de Aruanda, Orin Dudu, Ilê Axé Onixêgun, além de Tião Casemiro, Nina Rosa, Ogan Cotoquinho, Pai Dário e o próprio Marcos André. A Feira Crespa integra o evento ao longo do dia, reunindo afroempreendedoras de gastronomia, moda e artesanato no Parque Garota de Ipanema.

O Arpoador sustenta tudo isso porque sabe acolher. Ali, fé não disputa espaço. Convive. A celebração cresce sem perder o sentido, respeita o território e devolve à cidade um ritual que é, ao mesmo tempo, ancestral e atual. No Dia de Iemanjá, o Rio se reconhece no mar.

Serviço

Dia de Iemanjá do Arpoador
Data: segunda-feira, 2 de fevereiro
Horário: das 10h às 22h
Local: Arpoador, Praia de Ipanema
Entrada: gratuita

Instagram: @diadeiemanja

Programação

10h às 22h
Feira Crespa com gastronomia moda e artesanato
Local: Parque Garota de Ipanema Arpoador

11h
Roda de ritmos e danças do Candomblé com o grupo Orin Dudu e lideranças religiosas

15h
Concentração do cortejo na estátua de Tom Jobim

16h
Cortejo com oferendas liderado por Ogan Cotoquinho Pai Dário e Ilê Axé Onixêgun

16h30
Entrega do Presente às Águas na Pedra do Arpoador

17h
Ciranda coco e samba de roda com a Companhia de Aruanda
Participações do Jongo do Vale do Café Tia Ira Rezadeira Afoxés Filhas de Gandhy Ore Lailai e Yza Diordi

Oferendas de flores no mar pelos surfistas

Festival de Curimbas com Pai Caio Bayma e Casa Kalundú

17h às 21h
Giras de umbanda na areia com cerca de 20 terreiros e o Instituto Carta Magna da Umbanda

19h30
Roda de umbanda com Tião Casemiro

20h
Show com o grupo Samba de Caboclo
Participação especial de Nina Rosa e Marcos André

21h30
Mutirão de limpeza das praias e pedras com o público e a equipe da Pedra do Arpoador Conservação

22h
Encerramento

Dica importante
As oferendas devem ser exclusivamente biodegradáveis limitadas a flores e frutas

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