Personagens da orla: conheça o artista de praia Rogean Rodrigues

Personagens da orla: conheça o artista de praia Rogean Rodrigues

“Na praia eu tenho tudo o que eu preciso”

As praias cariocas, além de muita beleza, agregam variadas histórias, contos, culturas diversas que precisamos mesmo conhecer. Pensando nisso, o papo de hoje faz parte da série que visa apresentar os verdadeiros personagens da praia  — as figuras marcantes que fazem deste ambiente o seu grande negócio, ou simplesmente um cantinho especial.   

É o caso de Rogean Rodrigues, de 42 anos, que faz da arte a sua principal fonte de trabalho. Seu talento é criar esculturas de areia, e é na Praia de Copacabana, Zona Sul do Rio,  que ele expõe e comercializa suas obras, há mais de 30 anos. 

Natural do Ceará, Rogean está na cidade maravilhosa desde os 10 anos de idade, e nesta mesma época, a partir dos ensinamentos de um amigo colombiano, Alonso Gomes, Rodrigues foi capaz de desenvolver o seu dom e tornar- se um grande artista de praia. Foi através da arte que o cearense pôde desbravar cidades e até mesmo países. “Já viajei para muitos lugares do Brasil, através das minhas esculturas de areia, conheci muitos países, mas apesar de toda esta oportunidade, ainda não conheci nenhuma praia como a icônica Copacabana, “o lugar que eu amo e onde tudo começou” – contou o artista.

Para Rogean, a praia de Copacabana é um celeiro de oportunidades, pois basta ter uma ideia, que cada um consegue aproveitar a praia da maneira que preferir, seja para se divertir ou para lucrar. Ele ainda acrescenta que é do ambiente praiano que ele retira tudo o que precisa para trabalhar  —  areia e água.

O processo criativo é manual: Rogean empilha a areia úmida e começa a moldá-la, buscando sua expressão e o movimento que lhe dará vida. Além dos próprios dedos, ele utiliza algumas espátulas ideais para cada desenho e outros materiais para suavizar a expressão e transmitir vida na obra. Para cada escultura, Rogean dedica um determinado tempo, mas a maioria das imagens, como castelos, sereias, e paisagens do Rio, Rodrigues leva de dois a três dias, podendo virar noites para deixar a obra completa.

De acordo com a escritora Edna Frigato, “ O dom de fazer arte, é algo que todos querem, muitos perseguem, mas não conseguem. Dom é como caráter você tem ou não tem (…) Dom é um presente maravilhoso e intransferível que, por mérito, o universo nos envia”. Além disso, expressar sobre a arte, é sobre aquilo que genuinamente sentimos e transbordamos, através dos nossos sentimentos, ainda que não consigamos perceber.

Agora imagina os resultados de poder unir este dom com o ambiente praiano. Com a história de Rogean fica claro o quão regenerador são os efeitos da praia sobre nós, já que quando estamos em contato com o mar, ativamos o córtex pré -frontal de nosso cérebro, área diretamente associada com as emoções. Em outras palavras, ir à praia pode ser terapêutico. 

Vale destacar que para valorizar esse trabalho, no dia 5 de outubro de 1978, foi criado o Dia Nacional das Artes, um marco para garantir aos artistas o exercício de seu ofício. Afinal, o gesto de quem nos apresenta a poética da vida, deve ser entendido e respeitado como uma profissão regulamentada. Para conhecer o trabalho de Rogean Rodrigues, é possível encontrar a arte e o artista em dois famosos pontos da orla de Copacabana —  Posto 5, em frente ao museu de imagem e som ou no posto 4, próximo ao quiosque Coisa de Carioca.

Acompanhe o trabalho de Rogean Rodrigues pelo Instagram

Reportagem: Carol Oliveira

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